sexta-feira, 21 de setembro de 2018

MOSTEIRO e IGREJA de LEÇA do BALIO - (02)


O Mosteiro ( Continuação )

Apesar de todas as vicissitudes é possível ainda identificar na quinta, situado junto à igreja, um vasto conjunto de elementos arquitectónicos pertencentes à estrutura do antigo mosteiro gótico.

Antes das demolições efectuadas em 1844 o Convento desenvolvia-se para o lado sul da igreja e encontrava-se ligado a esta por uma porta lateral, tendo essa ligação desaparecido durante demolições efectuadas nos anos 30 de Séc. XX.

Documentos referem que o Mosteiro estaria rodeado por uma forte muralha e disporia de mais três torres para além da existente. Os vestígios de uma destas torres ainda são visíveis na Quinta do Mosteiro, junto à cabeceira da igreja.

Seguem as imagens:












Desde 19 de Maio até 16 de Dezembro deste ano encontra-se no Mosteiro, patente ao público diariamente, uma exposição denominada " MONASTERIUM KM 234 " dedicada aos Peregrinos de Santiago e à Ordem dos Cavaleiros Hospitalários, hoje Ordem de Malta. 
Disponibilizam visitas guiadas. Aconselhamos vivamente uma visita a todos aqueles que se interessam por esta época da história de Portugal.

A próxima edição será dedicada à IGREJA-FORTALEZA de Santa Maria que, como já referi atrás, muitos confundem com o verdadeiro Mosteiro de Leça do Balio. Fiquem bem e... atentos.


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

MOSTEIRO e IGREJA de LEÇA do BALIO - (01)


O MOSTEIRO ( um pouco de história )

Situado no lugar de Recarei junto ao rio Leça o Mosteiro já existiria no Séc. X.

No Séc. XII D. Teresa faz a doação do Mosteiro à Ordem militar-religiosa dos cavaleiros Hospitalários que aqui estabelecem o seu primeiro quatel-general em território português. Em 1140, D. Afonso Henriques amplia a doação concedendo ao Mosteiro Carta de Couto com jurisdição sobre um território alargado.

Com características vocacionadas para a Cruzada e a Guerra santa o Ordem do Hospital, organização internacional, tinha como missão principal dar assistência e protecção aos peregrinos bem como integrar acções de combate aos muçulmanos.

Dada a sua posição geográfica privilegiada, o Mosteiro viveu vários momentos importantes da história de Portugal. Ali passou Afonso Henriques e Sancho I. Ali se albergaram Nuno Álvares Pereira e a rainha Santa Mafalda e ali casaram D. Fernando com Leonor Teles em 1372.
Ao longo dos anos, desempenhou importante papel na assistência e no apoio aos peregrinos que se encaminhavam para Santiago de Compostela.

Com a abolição em 1834 do Baliado de Leça devido à extinção das ordens religiosas, o Mosteiro,  com exclusão da igreja, foi vendido em hasta pública e entrou em decadência a caminho da ruína.

Como nem sempre o que é mau prevalece, já no Séc. XX é adquirido pelo Engº. Ezequiel de Campos que ali promoveu profundos trabalhos de requalificação e restauro, transformado-o durante anos na sua residência particular.

Actualmente o Mosteiro com os terrenos envolventes são pertença da empresa LIONESA existindo já planos para a requalificação de todo o local com protocolos envolvendo a Câmara Municipal de Matosinhos e a Lionesa. 
Sisa Vieira e Cidónio Pardal ( arquitecto paisagista ) estão já trabalhando em todo esse projecto.

Vamos às nossas habituais imagens:












Por aqui ficamos hoje. Mais uma edição concluirá a reportagem sobre o Mosteiro e numa terceira edição daremos início às imagens que colhemos na Igreja-Fortaleza de Santa Maria. Quase toda a gente a confunde com o Mosteiro, sem que nada tenha a ver com ele.
Fiquem bem.

sábado, 6 de janeiro de 2018

MUSEU da GUARDA NACIONAL REPUBLICANA - ( 03 )


Finalizamos hoje a reportagem fotográfica que realizamos durante a visita a este interessante e histórico Museu.

Dedicamos hoje um pouco de texto à história do Convento do Carmo onde mais tarde se instalou o Quartel da Guarda e recentemente o Museu.

O Convento foi fundado por D. Nuno Álvares Pereira, como já foi dito na edição anterior, tendo a sua primeira pedra sido lançada em 1389. Ocupado de início pelos frades Carmelitas foi posteriormente doado à Ordem do Carmo, braço espiritual dos Hospitalários em 1423.

Imponente na sua arquitectura gótica sofreu uma primeira derrocada durante o terramoto de 1531. Reconstruído em 1580 entra de novo em declínio com a perda da independência de portugal. Com a restauração da independência em 1640 é novamente revitalizado pelo Condestável e finalmente chega a decadência total com o terramoto de 1755.

Em 1845 passou a funcionar como Quartel e Comando-Geral das guardas em Portugal. Ainda hoje lá se mantém o Comando-Geral da GNR.

Ao longo da sua história o Convento viveu alguns dos mais importantes acontecimentos da nossa história. Foi o último bastião da monarquia que caíu em 5 de Outubro de 1910. Ali terminaram algumas das revoltas e revoluções em que a 1ª republica foi pródiga. Foi um dos principais palcos da Revolução dos Cravos em 25 de Abril de 1974.

E dito isto, vamos às imagens finais:













Assim concluímos mais uma visita a um local emblemático que merece bem ser conhecido. Para além dos objectos patentes ao público ( dos quais só uma pequena parte aqui mostramos ) existe também bastante informação escrita. Voltaremos na primeira oportunidade em que tenhamos matéria que o justifique. Até lá. Fiquem bem.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

MUSEU da GUARDA NACIONAL REPUBLICANA - ( 02 )


Nesta 2ª edição dedicada ao Museu focamos esta parte do texto na história e no perfil do fundador do Convento do Carmo, o Condestável D. Nuno Alvares Pereira, patrono da arma de Infantaria.

Na verdade a vida do Condestável encontra-se recheada de feitos históricos alguns dos quais contribuíram para mudar a história de Portugal.

1 - Nasceu em 24 de Junho de 1360 filho de uma aia da raínha Leonor Teles.

2 - Aos 13 anos foi armado cavaleiro e, como condestável do reino evidenciou-se com
notoriedade no apoio a D. João o Mestre de Avis.

3 - Já como figura lendária, entre as suas vastas vitórias militares destaca-se a vitória na Batalha
de Aljubarrota  (14 de Agosto de 1385) a qual garantiu a independência de Portugal.

4 - Casou com Leonor Alvim com a qual teve uma filha D. Beatriz que veio a casar com
D. Afonso,  filho de D. João I,  dando origem à Casa de Bragança presente ainda na
actualidade.

5 - Em 1415 participa na expedição a Ceuta.

6 - Em 1423 após a morte da mulher e da filha, abandona todos os seus bens e veste o
hábito Carmelita, vivendo numa cela do convento até à sua morte em 1 de Abril de 1431
tendo sido sepultado em campa rasa na igreja do Convento.

7 - Conhecido em vida como Santo Condestável vem a ser beatificado pelo Papa Bento XV
em 1918 durante a 1ª Guerra Mundial.

8 - É canonizado em 26 de Abril de 2009 com o nome de São Nuno de Santa Maria pelo
Papa Bento XVI.

Vamos às imagens de hoje:













Por aqui ficamos hoje esperando que estejam a apreciar este trabalho.. Na próxima edição terminaremos este tema. Fiquem bem com votos de bom fim de semana.


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

MUSEU da GUARDA NACIONAL REPUBLICANA - (01 )


Aberto ao público desde o mês de Maio de 2015 com carácter permanente, o Museu da Guarda Nacional Republicana está integrado no Quartel do Carmo que, por sua vez, está instalado nos edifícios do antigo Convento do Carmo fundado pelo Condestável D. Nuno Álvares Pereira.

Ao longo das três edições previstas para este tema tentaremos, a par das imagens que publicamos, resumir um pouco da história do Museu, do seu fundador e do papel que as forças militares aqui sediadas já tiveram na nossa história contemporânea.

Seremos muito parcos nas legendas pois que, como em outras reportagens, as imagens falam por si e, acreditem que durante uma visita, tudo o que ali se encontra está devidamente documentado ao pormenor.

Vamos às imagens de hoje. Não se esqueçam de clicar sobre elas para abrir.

O Fundador do Convento do Carmo,  D. Nuno Álvares Pereira












Podemos já avançar que na próxima edição dedicaremos o espaço necessário para desenvolvermos com critério a história do Convento. O Comando militar ficará reservado para a última edição. Voltaremos em breve. Fiquem bem e... atentos